Publicar uma pipeline
Desenhar a pipeline não coloca nada no ar. Quem faz isso é o deploy — e ele tem mais etapas do que um botão de "salvar".
O que acontece quando você publica
- A plataforma gera os arquivos de configuração a partir do seu desenho.
- Esses arquivos são comitados numa branch do Git, com a mensagem que você escrever.
- O ArgoCD percebe o commit e aplica tudo no cluster escolhido.
- Cada peça da pipeline sobe como uma carga de trabalho independente.
Duas consequências práticas desse modelo:
- Todo deploy fica registrado no Git. Dá para ver quem publicou o quê, quando, e voltar atrás.
- Publicar não é instantâneo. O commit é imediato; a aplicação no cluster leva alguns instantes até o ArgoCD sincronizar.
A tela de Deploy
Abra a pipeline e vá em Deploy. São três abas:
| Aba | Para que serve |
|---|---|
| Deploys | Lista o que já está no ar, em qual cluster e com que saúde |
| Novo Deploy | Onde o deploy é feito |
| Variáveis | Configuração que muda de cluster para cluster |
Configure a aba Variáveis antes do primeiro deploy. As variáveis valem a partir do próximo deploy naquele cluster — criar depois não conserta um deploy que já subiu sem elas.
Passo 1 — Variáveis
Esta aba existe porque a mesma pipeline roda em clusters diferentes com valores diferentes: o banco de homologação não é o de produção, e a senha não é a mesma.
Tudo aqui é por cluster. O seletor no topo escolhe qual, e o aviso ao lado é literal: alterações têm efeito no próximo deploy para este cluster.
De onde vêm as variáveis
Você não inventa os nomes. No editor da pipeline, quase todo campo de configuração tem um botão
${…} ao lado. Clicar nele troca o valor fixo por uma referência de variável, e a plataforma
gera o nome automaticamente no formato N{número-do-node}_{CAMPO}:
| Campo no node 2 | Vira a variável |
|---|---|
| Host do SFTP | N2_SFTP_HOST |
| Host do SQL Server | N2_SQLSERVER_HOST |
| Senha do PostgreSQL | N2_POSTGRES_PASSWORD |
O nome é editável, mas só aceita letras, números e underline — e é sempre gravado em maiúsculas.
Depois de marcar o campo como variável no desenho, é aqui na aba Variáveis que você diz qual o valor dela em cada cluster.
Conexões Kafka por cluster
O primeiro bloco da aba. Ele permite apontar a pipeline para clusters Kafka diferentes conforme o ambiente, sem mexer no desenho.
| Linha | O que controla | Chave |
|---|---|---|
| Pipeline (nós intermediários) | O Kafka usado pelos nodes de Transform | INTHUB_KAFKA_CONNECTION |
| Nó N (source kafka) / Nó N (sink kafka) | O Kafka de um Input ou Output Kafka específico | INTHUB_KAFKA_CONNECTION_N{n} |
Aparece uma linha por node Kafka que a pipeline tiver. Deixar como "Não configurada" faz a peça usar a conexão padrão escolhida no próprio desenho — o que é o certo na maioria dos casos.
As conexões disponíveis na lista são as cadastradas em Kafka → Conexões.
Variáveis de ambiente
O segundo bloco. Cada variável tem uma Chave e um valor, e o valor pode vir de dois lugares:
| Modo | Quando usar | O que você preenche |
|---|---|---|
| Valor plain | Dados não sensíveis: host, porta, nome de banco, caminho | O valor direto |
| Secret | Senhas, tokens, chaves | O Secret cadastrado + a Chave do secret |
A Chave do secret é o nome do campo dentro do secret — por exemplo password, ou
credentials.json para uma credencial de service account. Um secret pode guardar mais de um campo,
e é essa chave que diz qual deles você quer.
Um secret cadastrado com destino a um cluster específico só aparece na lista quando aquele cluster está selecionado. Se um secret que você espera ver não está na lista, confira o destino dele em Workspace → Secrets.
Uma variável listada em vermelho como "não configurado" está criada mas sem valor — a peça vai subir sem aquele dado.
Passo 2 — Novo Deploy
Com as variáveis prontas, vá para a aba Novo Deploy.
Cluster destino
Onde a pipeline vai rodar. Precisa ser o mesmo cluster para o qual você configurou as variáveis.
Versão para deploy
| Opção | O que faz |
|---|---|
| Alterações atuais | Publica o desenho como ele está agora e cria uma versão nova (o chip mostra qual: cria v3) |
| v1, v2, … | Publica uma versão anterior, exatamente como ela era |
Publicar uma versão anterior é o mecanismo de rollback: se um deploy deu problema, escolha a versão que funcionava e publique de novo.
Ao lado do seletor há um botão <> que mostra o YAML gerado antes de publicar. Vale abrir na
primeira vez: é ali que dá para conferir se as variáveis foram resolvidas como você esperava.
Branch
Onde o commit será feito.
- Branch existente — escolha uma da lista.
- Nova branch — informe o nome, ex.:
feature/minha-branch.
Publicar numa branch separada é o caminho quando a mudança precisa de revisão antes de chegar ao ambiente principal.
Mensagem do commit
Obrigatória. Vem preenchida com um texto padrão (deploy a pipe <nome>, version <n>), mas vale
trocar por algo que explique o que mudou — é o que outra pessoa vai ler no histórico daqui a seis
meses.
Tags
Obrigatórias. São os rótulos que organizam as pipelines: é por elas que se filtra a lista, se descobre tudo o que pertence a um time ou a um sistema, e se encontra o que precisa mudar quando um sistema de origem sai do ar.
Uma pipeline sem tag some no meio das outras assim que a plataforma passa de algumas dezenas — por isso a marcação é cobrada no deploy, e não deixada para depois.
Use rótulos que respondam "de quem é isto" e "o que isto integra": financeiro, erp, producao,
replicacao. Vale reaproveitar tags já existentes — a lista sugere as que a empresa já usa.
Confirmação
Antes do botão, a tela mostra o nome do deploy que será criado e quem é o autor:
minha-pipeline-deploy-3-producao
O padrão é {pipeline}-deploy-{versão}-{cluster}.
O botão Deploy só habilita quando cluster, branch e mensagem de commit estão preenchidos.
Passo 3 — Acompanhe
Depois de publicar, a tela volta para a aba Deploys, que lista cada deploy ativo:
| Coluna | O que mostra |
|---|---|
| Cluster | Onde está rodando, e o nome do deploy |
| Versão | Qual versão do desenho está no ar |
| Status | Saúde e sincronização reportadas pelo ArgoCD |
| Data | Quando foi aplicado |
| Ações | Abrir a observabilidade, ou remover o deploy |
O status é o que dizer se deu certo. Enquanto o ArgoCD estiver sincronizando, ele muda sozinho — espere estabilizar antes de concluir que algo falhou. Se ficar em estado de falha, abra a observabilidade para ver o log da peça que não subiu.
Remover um deploy
O botão de lixeira na aba Deploys tira a pipeline daquele cluster. As peças param, mas os tópicos e as mensagens acumuladas continuam existindo — publicar de novo faz cada peça retomar de onde parou.
Publicar em mais de um cluster
A mesma pipeline pode estar no ar em vários clusters ao mesmo tempo, cada um com seus próprios valores. O ciclo é o mesmo, repetido por cluster:
- Aba Variáveis → selecione o cluster → configure os valores dele.
- Aba Novo Deploy → selecione o mesmo cluster → publique.
Esquecer o passo 1 para o segundo cluster é o erro mais comum: a pipeline sobe apontando para os valores errados, ou sem valor nenhum.
Erros comuns
| Sintoma | Causa provável |
|---|---|
| O botão Deploy não habilita | Falta cluster, branch ou mensagem de commit |
| A peça sobe e cai em seguida | Variável sem valor, ou secret com a Chave do secret errada |
| A pipeline aponta para o ambiente errado | Variáveis configuradas em outro cluster que não o do deploy |
| A publicação é recusada na validação | Um Output sem ligação, campo obrigatório vazio, ou secret removido — veja Pipelines |
| O deploy foi feito mas nada mudou no cluster | O ArgoCD ainda não sincronizou; confira a coluna Status |
Checklist
Antes de publicar pela primeira vez em um cluster:
- O desenho está completo e cada Transform e Output está ligado a algum tópico.
- Os campos que mudam por ambiente estão marcados como variável (
${…}) no editor. - Os Secrets já estão cadastrados.
- A aba Variáveis está preenchida para o cluster de destino.
- O YAML gerado foi conferido no botão
<>. - A mensagem do commit diz o que mudou.
- As tags estão preenchidas.